Faces of Death tenta fazer uma coisa perigosa: pegar um clássico do choque e transformá-lo em comentário sobre a internet. O resultado é um filme mais esperto do que brutal, com boa direção de Daniel Goldhaber, mas menos mordida do que o título vende.
| Título | Direção | Elenco principal | Gênero | Duração | Plataforma | Nota |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Faces of Death | Daniel Goldhaber | Barbie Ferreira, Dacre Montgomery, Charli xcx | Terror, thriller, meta-horror | Não divulgado | Sem confirmação de streaming no Brasil | Não há nota agregada confirmada |
O filme funciona melhor quando entende sua própria ironia. A protagonista Margot trabalha na Kino, uma plataforma de vídeos curtos, moderando conteúdo violento enquanto o feed vai corroendo qualquer noção de choque real.
Essa ambientação é o melhor truque do roteiro. Em vez de repetir a exploração gráfica do original de 1978, o novo Faces of Death mira na anestesia digital, no doomscrolling e na rotina de assistir horrores em loop.
É uma ideia boa. Melhor do que a execução, inclusive.
Como o novo Faces of Death troca choque por comentário
O original de 1978 ficou famoso pela exploração do grotesco e pelo marketing sensacionalista. A nova versão faz o caminho oposto: usa a marca para falar de consumo de violência como entretenimento diário.
Daniel Goldhaber dirige com segurança. Quem viu Cam reconhece o interesse dele por identidade, vigilância e paranoia digital. Aqui, ele junta isso a um terror de plataforma, quase como se o feed fosse o monstro.
O problema é que o filme parece ter mais medo de ser explícito do que deveria. Para um título que carrega a fama de “proibido” e “chocante”, o longa soa mais contido do que o marketing sugeria.
E aqui mora a frustração. O suspense existe, mas o impacto é menor do que a embalagem promete.
Barbie Ferreira segura o filme nas costas
Barbie Ferreira entrega a melhor presença do elenco. Margot não é uma heroína óbvia. Ela observa, processa e vai sendo puxada para um buraco cada vez mais doentio.
Dacre Montgomery, como Arthur, entra com energia suficiente para manter a tensão. Já Charli xcx funciona bem no ambiente da central de moderação, mesmo com participação menor.
O trio ajuda o filme a não desandar de vez. Sem eles, a metalinguagem pesaria mais do que deveria.
Também vale dizer: Goldhaber sabe filmar desconforto. Ele não precisa de sustos baratos o tempo todo. Prefere construir uma sensação de sujeira digital, como se cada clique deixasse a imagem mais contaminada.
O original de 1978 ainda assombra a nova versão
O nome Faces of Death carrega uma história pesada. O longa de 1978 virou lenda por vender imagens extremas como se fossem registros reais, alimentando a fama de filme proibido e maldito.
O novo filme usa esse passado como isca e como crítica. Em vez de repetir a mentira do “documentário chocante”, ele pergunta o que mudou quando a violência saiu do cinema de exploração e foi parar no bolso, no feed e na timeline.
Essa troca de época é inteligente. Só que inteligência não é o mesmo que impacto. O longa entende o passado, mas não consegue ser tão memorável quanto ele gostaria.
O resultado fica no meio do caminho. Nem exploitation de verdade, nem terror de internet completamente afiado.
Pontos fortes e fracos de Faces of Death
👍 Pontos fortes
- Ideia central: a crítica ao consumo de violência online é atual e funciona.
- Direção: Daniel Goldhaber segura a atmosfera com mão firme.
- Barbie Ferreira: entrega uma protagonista que sustenta o filme.
- Ambientação: a central de moderação dá personalidade ao terror.
👎 Pontos fracos
- Promessa de choque: o marketing vende mais agressividade do que o filme entrega.
- Impacto irregular: o terror é mais cerebral do que visceral.
- Metalinguagem: em alguns momentos, pesa mais do que ajuda.
- Legado do original: o filme não alcança o nível de provocação que o nome carrega.
Comparação com outros filmes de terror digital
| Título | Plataforma | Gênero | Nota/recepção | Destaque |
|---|---|---|---|---|
| Faces of Death | Sem confirmação no Brasil | Terror, thriller | Recepção crítica dividida | Meta-horror sobre moderação de conteúdo |
| Cam | Netflix | Terror psicológico | Boa recepção entre fãs de horror digital | Identidade, internet e paranoia online |
| Host | Sem confirmação no Brasil | Terror | Bem recebido pela crítica | Confinamento e sustos em videochamada |
| Unfriended | Sem confirmação no Brasil | Terror sobrenatural | Divisivo, mas marcante | Horror de tela e redes sociais |
Em comparação com esses títulos, Faces of Death é o mais ambicioso no discurso e o menos agressivo na entrega. Cam ainda parece mais afiado. Host é mais eficiente. Unfriended foi mais direto ao ponto.
Isso não quer dizer que o filme seja ruim. Só não entrega a sensação de perigo que seu nome carrega. E, num terror que vende choque, isso pesa bastante.
Onde o filme acerta e onde trava
O acerto principal está na leitura da internet como máquina de dessensibilização. O filme entende que, hoje, o horror não precisa mais invadir a sala. Ele já mora no feed.
O travamento aparece quando a narrativa tenta equilibrar comentário social e promessa de gore. É um pêndulo difícil. Goldhaber segura bem a atmosfera, mas o roteiro nem sempre acompanha.
Outro ponto: o filme é mais interessante como ideia do que como susto. Quem espera um terror cruel vai sair com a sensação de que faltou coragem.
Quem gosta de meta-horror, por outro lado, encontra algo mais esperto do que a média. Não é pouco. Só não é o massacre que o nome sugere.
O que Daniel Goldhaber faz melhor aqui
Goldhaber continua sendo um diretor bom de tensão. Ele trabalha bem espaços fechados, telas dentro de telas e a sensação de que tudo está sendo observado.
Esse olhar combina com o tema. A plataforma Kino vira um pequeno inferno corporativo, e a rotina de moderação traz um tipo de terror bem contemporâneo. É o horror de ver demais.
Existe até um certo humor ácido na forma como o filme olha para o consumo de conteúdo extremo. Não é piada aberta. É ironia amarga.
O problema é que essa inteligência não vira uma pancada no estômago. O filme pensa mais do que machuca. Para muita gente, isso vai ser suficiente. Para fãs de terror extremo, não.
Perguntas frequentes
Faces of Death tem dublagem em português no Brasil?
Não há confirmação pública de dublagem em português no Brasil até agora. Como o filme ainda não teve lançamento amplo por aqui, essa informação depende da distribuidora.
Onde assistir Faces of Death no Brasil?
Sem plataforma confirmada no Brasil. Até o momento, não há anúncio oficial de streaming ou catálogo nacional para o filme.
Faces of Death é continuação do filme de 1978?
Não exatamente. É uma meta-sequência, ou seja, usa o legado do original para construir outra história, com foco em internet e moderação de conteúdo.
O filme é tão pesado quanto o original?
Não. A versão de 2026 é mais cerebral e menos brutal. Ela fala sobre violência, mas não aposta no mesmo choque gráfico do clássico de 1978.
Vale assistir Faces of Death se eu gosto de terror de internet?
Sim, se você curte terror digital e meta-horror. O filme conversa bem com Cam, Host e Unfriended, mesmo sem chegar ao mesmo impacto.
Barbie Ferreira é o destaque do filme?
Sim. Barbie Ferreira segura a maior parte da carga dramática e dá ao filme uma protagonista mais interessante do que o material sugere no papel.
Faces of Death funciona como crítica à cultura do feed?
Sim. Essa é a melhor camada do filme. Ele usa o horror para falar de dessensibilização, consumo rápido de violência e vício em conteúdo extremo.
Se você quer um terror que realmente incomode, Faces of Death deixa um gosto de oportunidade perdida. Se a ideia é ver um meta-horror bem dirigido, com Barbie Ferreira e um comentário afiado sobre a era do feed, aí o filme entrega mais do que parece.
O problema é simples: o nome pesa demais para o que o longa entrega. E, num caso desses, a comparação com o original de 1978 não ajuda.

