Big Mistakes chega à Netflix como uma comédia criminal de ritmo rápido, elenco afiado e humor seco. A série de Dan Levy e Rachel Sennott não quer ser um drama pesado.
Quer entreter, bagunçar a vida dos personagens e entregar 8 episódios curtos para maratonar sem esforço.
| Ficha técnica | Detalhes |
|---|---|
| Título original | Big Mistakes |
| Título no Brasil | Big Mistakes |
| Criadores | Dan Levy e Rachel Sennott |
| Showrunner | Dan Levy |
| Elenco principal | Dan Levy, Taylor Ortega, Laurie Metcalf, Abby Quinn, Jack Innanen |
| Personagens | Nicky, Morgan, Linda, Natalie, Max |
| Gênero | Comédia criminal dramática |
| Episódios | 8 |
| Duração média | Cerca de 30 minutos por episódio |
| Plataforma | Netflix |
| Classificação indicativa | Conteúdo adulto, sujeito à classificação do catálogo local |
Na prática, a série vende uma ideia simples: dois irmãos, um colar roubado e um mergulho involuntário no crime organizado. Funciona melhor quando aposta no caos familiar. E é aí que Dan Levy parece mais confortável.

O que Big Mistakes conta
Dan Levy vive Nicky, um pastor de uma comunidade queer. Taylor Ortega interpreta Morgan, sua irmã, professora e mais impulsiva do que prudente.
Depois da morte da avó, os dois se reaproximam. Aí vem a decisão errada. Morgan rouba um colar valioso após uma discussão banal, e isso puxa os dois para uma espiral de chantagem e crime.
O roteiro também coloca Linda, vivida por Laurie Metcalf, numa disputa política pela prefeitura. É o tipo de subtrama que poderia render muito.
Aqui, rende menos do que deveria. O foco real da série está na química entre os irmãos e no jeito como o desastre cresce sem pedir licença.

Dan Levy troca o aconchego por mais caos
Quem espera algo no clima acolhedor de Schitt’s Creek vai perceber a mudança rápido. Big Mistakes tem o DNA cômico de Levy, mas com mais ruído, mais atrito e menos calor humano.
O humor vem em frases secas, olhares tortos e personagens que parecem sempre um passo atrás do próprio desastre.
Isso é bom. Levy entende timing cômico. E aqui ele usa isso para fazer a relação entre os irmãos respirar. A série funciona quando os diálogos parecem uma briga que virou parceria por necessidade. Quando tenta expandir demais o crime, perde força.
“Big Mistakes” shows can live or die on chemistry, and this one leans hard on that dynamic.
— Avaliação crítica da série
Rachel Sennott também pesa no tom. A co-criação ajuda a deixar a série mais afiada e menos certinha. O resultado é uma comédia criminal que não quer parecer elegante. Quer ser espirituosa. E, na maior parte do tempo, consegue.

O que funciona melhor na série
A melhor parte de Big Mistakes é simples: a dupla central. Dan Levy e Taylor Ortega têm química de sobra.
Eles vendem bem o desconforto, a culpa e a parceria forçada. Isso segura a série quando a trama ameaça virar só mais uma bagunça criminal leve.
Laurie Metcalf também ajuda muito. Ela entra com peso de atriz experiente, e isso dá uma camada extra à série.
Mesmo quando o roteiro não aprofunda tanto a personagem, a presença dela segura a tela. Abby Quinn e Jack Innanen completam o elenco com energia suficiente para manter o ritmo vivo.
Outro ponto forte é o formato. Oito episódios de cerca de 30 minutos deixam a maratona fácil. Não sobra gordura. Não existe aquela sensação de série inchada que estica uma boa ideia por meses. Aqui, você passa por tudo rápido. Talvez até rápido demais.
Onde a série tropeça
Aqui mora o problema. A parte do crime organizado é mais básica do que deveria. O cartel existe mais como motor de confusão do que como ameaça real.
Isso tira peso da história. Quando a série tenta parecer mais séria, ela não sustenta o mesmo nível do humor.
O arco político de Linda também fica devendo. É o tipo de subtrama que parece importante no papel, mas não encontra a mesma força da história dos irmãos.
Em vez de ampliar a série, ela dilui a atenção. E isso custa caro quando o tempo é curto.
Tem ainda outro detalhe: Big Mistakes às vezes confia demais na própria graça. Nem toda cena precisa virar piada. Quando a série segura demais a tensão, o impacto dramático cai. E aí ela fica simpática, mas menos marcante.
Comparação com séries parecidas
| Título | Plataforma | Gênero | Nota | Destaque |
|---|---|---|---|---|
| Big Mistakes | Netflix | Comédia criminal dramática | Sem nota consolidada | Química entre os irmãos e humor seco |
| BEEF | Netflix | Drama, comédia, caos psicológico | Alta recepção crítica | Escalada de conflito e tensão mais afiada |
| Dead to Me | Netflix | Comédia sombria, crime | Boa recepção crítica | Equilibra melhor humor e drama |
| Only Murders in the Building | Disney+ | Comédia policial | Alta recepção crítica | Mistura investigação e leveza com mais consistência |
Se você gosta de BEEF, vai entender a lógica do caos crescente. A diferença é que Big Mistakes é menos cruel e menos afiada. Já em relação a Dead to Me, a nova série perde no equilíbrio entre humor e emoção.
Comparada a Only Murders in the Building, ela também sai atrás em estrutura. A série do Disney+ sabe usar crime como jogo de ritmo e mistério. Big Mistakes aposta mais na bagunça emocional. Funciona, mas não com a mesma precisão.
Pontos fortes e fracos de Big Mistakes
👍 Pontos fortes
- Química central: Dan Levy e Taylor Ortega sustentam a série quando a trama aperta.
- Humor seco: As piadas são rápidas e combinam com o tom caótico.
- Elenco forte: Laurie Metcalf adiciona peso e presença em cena.
- Episódios curtos: O formato de 30 minutos deixa a maratona leve.
👎 Pontos fracos
- Crime raso: A parte criminal não tem muita complexidade.
- Subtrama política fraca: O arco de Linda não rende o suficiente.
- Drama diluído: A série ri tanto de si mesma que perde impacto emocional.
- Memorabilidade limitada: Diverte, mas não gruda como os melhores trabalhos de Levy.
O veredito prático é esse: Big Mistakes é melhor como série de personagem do que como crime drama. Se você quer algo leve, rápido e com elenco afiado, ela entrega. Se espera uma trama criminal robusta, vai achar tudo meio superficial.
Há um mérito claro na proposta. A Netflix continua apostando em séries curtas, fáceis de consumir e com identidade forte. Big Mistakes entra bem nessa lógica. Não é a produção mais sofisticada do catálogo. Mas também não tenta ser.
Vale a maratona na Netflix?
Sim, para o público certo. Quem gosta de Dan Levy, de humor ácido e de histórias familiares atravessadas por crime vai encontrar aqui uma boa maratona. A série é leve sem ser vazia. Só não espere um novo clássico.
Para o Brasil, a resposta é objetiva: Big Mistakes está na Netflix, com dublagem em português normalmente disponível no catálogo da plataforma. É um título fácil de encaixar numa noite só, já que os 8 episódios passam rápido.
Se a ideia é ver algo divertido, com elenco competente e sem compromisso de longo prazo, Big Mistakes cumpre. Se você quer a melhor série de crime do ano, siga em frente. Essa aqui prefere o charme ao impacto.
Perguntas frequentes
Big Mistakes está disponível no Brasil?
Sim. Big Mistakes está disponível na Netflix Brasil. O catálogo local costuma oferecer áudio dublado em português.
Quantos episódios tem Big Mistakes?
8 episódios. A temporada é curta e cada capítulo tem cerca de 30 minutos, o que facilita a maratona.
Big Mistakes é mais comédia ou drama?
É mais comédia criminal do que drama pesado. A série usa o crime como motor da história, mas o foco está na dinâmica dos irmãos e nas piadas secas.
Dan Levy está atuando e criando a série?
Sim. Dan Levy é o nome principal da produção, atua como Nicky e também assina a criação ao lado de Rachel Sennott.
Big Mistakes lembra Schitt’s Creek?
Não muito. A assinatura de humor de Dan Levy está lá, mas o tom é mais caótico, mais ácido e menos acolhedor do que em Schitt’s Creek.
Vale assistir Big Mistakes se eu gostei de BEEF?
Sim, mas com expectativa ajustada. As duas séries trabalham caos e conflito, só que BEEF é mais afiada e mais pesada emocionalmente.
Big Mistakes tem cara de segunda temporada?
Tem. O final deixa ganchos claros, e o formato curto favorece uma renovação se a Netflix quiser apostar no boca a boca.

